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Novas aquisições (Flipoços 2014)

Ontem à noite fui ao Centro Cultural da Urca, a fim de garimpar pelos estandes do Festival Literário de Poços de Caldas/MG (Flipoços 2014). Em meio ao caos de livros espalhados sem nenhum critério, deparei-me com várias boas obras, a preços incrivelmente baixos. Escolhi três.

A primeira delas foi “Heróis demais”, da escritora colombiana Laura Restrepo.

restrepo

A autora chamou a minha atenção quando li seu romance mais célebre, intitulado “Delírio”. Dela, tenho ainda “Hot Sur”, que comprei em minha passagem em Buenos Aires e está na fila. É bastante provável que, pelo tema, “Heróis demais” seja lido primeiro. O enredo da obra mescla um duplo acerto de contas, político e familiar. Mateo, filho de uma jornalista que militou na argentina nos tempos da chamada “guerra suja” (nome pelo qual ficou conhecido o terrorismo de Estado promovido pela ditadura argentina na década de 1970),decide ir a Buenos Aires para encontrar o pai, um antigo dirigente trotskista que não participa da vida de seu filho. É um romance político que, ao que tudo indica, promete.

O segundo livro adquirido foi “A Suíte Elefanta”, do norte-americano Paulo Theroux.

elefanta

Theroux é um autor versátil, conhecido tanto por seus livros de ficção como por seus relatos de viagem. “A Suíte Elefanta” (que se enquadra no primeiro gênero) é composto por três novelas  ambientadas na Índia. São histórias destinadas a descontruir os lugares-comuns que envolvem o país, apresentando ao leitor uma Índia contemporânea presa entre o tumulto, a ambição e a espiritualidade. Em uma delas, lê-se: “A Índia era o mais próximo da vida e da morte que se podia chegar na Terra. Mas não era uma coisa ou outra: ali havia vida na morte e morte na vida”. Estou animado com a experiência. A obra parece bastante diferente do que, como leitor, estou habituado a consumir.

Deixei para o final o livro que me pareceu mais interessante: “A arte da ressurreição”, do chileno Hernán Rivera Letelier.

Capa da edição brasileira

Capa da edição brasileira

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Capa da edição portuguesa

O romance é fruto de uma profunda investigação realizada pelo autor sobre um caso real. No início do século XX, um andarilho – Domingo Zárate Veja – começa a identificar formas apocalípticas nas nuvens e a acertar na previsão de pequenos desastres. Após a morte de sua mãe, converte-se num ermitão, e passa a vagar pelo vale de Elqui, onde acaba por concluir que ele nada mais é do que a reencarnação de Jesus Cristo. Ao saber da existência de uma prostituta que venera a Virgem do Carmo e que, ainda por cima, chama-se Magdalena, Zárate sai em sua busca, a fim de torná-la sua discípula – e sua amante.

Com esta obra, Letelier venceu o Prêmio Alfaguara de melhor romance, em 2011.  Não vejo a hora de descobrir este autor que, por ter sido comparado ao António Skármeta, pelo Clarín, já pressuponho grande.

Desejo a todos um final de semana repleto de boas leituras. Até!