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Anna Kariênina

"Anna Kariênina" (Liev Tolstói) - Edição traduzida diretamente do russo (Cosac Naify)

O romance “Anna Kariênina”, de Liev Tolstói, é aberto com uma das frases mais célebres da história da literatura. O tom desta grande obra fica claro já a partir de suas linhas iniciais, como se vê:

“Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira.

Tudo era confusão na casa dos Oblónski. A esposa ficara sabendo que o marido mantinha um caso com a ex-governanta francesa e lhe comunicara que não podia viver com ele sob o mesmo teto. Esta situação já durava três dias e era um tormento para os cônjuges, para todos os familiares e para os criados. Todos, familiares e criados, achavam que não fazia sentido morarem os dois juntos e que pessoas reunidas por acaso em qualquer hospedaria estariam mais ligadas entre si do que eles, os familiares e criados dos Oblónski. A esposa não saía de seus aposentos, o marido não parava em casa havia três dias. As crianças corriam por toda a casa, como que perdidas; a preceptora inglesa se desentendera com a governanta e escrevera um bilhete para uma colega, pedindo que procurasse um novo emprego para ela; o cozinheiro abandonara a casa no dia anterior, na hora do jantar; a ajudante de cozinha e o copeiro haviam pedido as contas”.

 

 

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“Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra”

Mia Couto é, atualmente, um dos maiores expoentes da literatura africana. A respeito de suas obras, uma de minhas preferidas é o romance “Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra”.

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O livro começa assim:

“A morte é como o umbigo: o quanto nela existe é a sua cicatriz, a lembrança de uma anterior existência. A bordo do barco que me leva à Ilha de Luar-do-chão não é senão a morte que me vai ditando suas ordens. Por motivo de falecimento, abandono a cidade e faço a viagem: vou ao enterro do meu Avô Dito Mariano.

Cruzo o rio, é já quase noite. Vejo esse poente como o desbotar do último sol.  A voz antiga do Avô parece dizer-me: depois deste poente não haverá mais dia. E o gesto gasto de Mariano aponta o horizonte: ali onde se afunda o astro é o mpela djambo, o umbigo celeste. A cicatriz tão longe de uma ferida tão dentro: a ausente permanência de quem morreu. No Avô Mariano confirmo: morto amado nunca mais para de morrer”.

Pelo conjunto da obra, Mia Couto venceu o Prêmio Vergílio Ferreira, em 1999.